A ansiedade e eu, ou melhor... Eu e a ansiedade! - O Blog da Jack
15 junho 2018

A ansiedade e eu, ou melhor... Eu e a ansiedade!


Ela é mal educada, entra sem bater, invade sem convite de ninguém, é horrorosa, não a quero por perto. Eu fico quietinha, não mexo com ela, não a procuro e quero ser de igual modo ignorada, mas ela teima em me querer por companhia.

Estava eu em minha casa e foi assim que ela chegou, invadiu meu lar me forçando deixá-la entrar sem que eu tivesse chance de defesa alguma. Não contente com a sua invasão grosseira e mal educada, ela começou a tomar o meu espaço dentro da minha casa. Sentou-se no meu sofá, deitou-se sobre minhas almofadas, tinha acesso ao meu quarto e a qualquer lugar do meu aconchego.

Ignorá-la já não era suficiente, não surtia efeito algum para nenhuma de nós duas. Eu já não podia caminhar livremente pelos cômodos, pois ela estava lá, onde quer que eu fosse lá estava ela a me olhar fixamente e sedenta por me maltratar. 

Desapercebida de que era eu quem estava perdendo a batalha, fui dando-lhe espaço e ela era tão gulosa que crescia e se alimentava a cada fraqueza minha. Não demorou muito e ela tornou-se gigante dentro do meu lar, de tal modo que me impedia a passagem.

Tornei-me tão pequena e encolhida em um canto que mal podia andar, me mexer ou viver em próprio lar sem que eu sentisse a tal intrusa ansiedade.

Já estava sufocada quando de repente me veio um pensamento repentino de como era eu em minha casa antes da chegada de uma visitante ou hóspede não convidada. Lembrei-me que eu tinha liberdade para fazer o que eu quisesse e a minha maneira e ainda dormir bem em meu saudoso travesseiro.

Enquanto eu quieta e pensativa estava, ela olhou-me pela primeira vez e sem perceber interrogativa. Ela disfarça mal, eu pude vê-la tão de leve recuar ao ponto de me fazer conseguir enfim folegar.

Foi notório que esse fôlego eu só teria se conseguisse deixa-lá em dúvida de sua pressão sobre meus ombros. Passei a exercitar essa válvula de escape e até demorou um pouco, mas, estava conseguindo. Ela diminuiu, a gigante e obesa regrediu! Eu pude levantar-me e com pequenos passos, caminhar.

Ainda com um pouco mais de tempo, percebi que aquela intrusa ansiedade, gorda, enorme e espaçosa dentro do meu lar havia enfraquecido e já não ocupava mais todos os cômodos da minha casa.

Achei que a ansiedade e eu, ou melhor, eu e a ansiedade não podíamos morar na mesma casa, não caberíamos debaixo do mesmo teto, não tinha espaço suficiente para nós duas. Engano meu! A ansiedade não é de fato bem vinda no meu lar, mas já que é tão intrusa, entra sem bater e invade porta a dentro, poderá ficar sob minha permissão e condição.

A casa é minha, os cômodos são meus, aqui eu ando e caminho livremente, tenho liberdade para fazer tudo o que eu quiser e a noite dormirei tranquilamente sem que sua indesejável presença me incomode.

- Pode alojar-se atrás da geladeira! Disse eu, concluinte de meus pensamentos que ela vigiava.

Ela levantou-se e pela porta que um dia entrou, saiu, sem se despedir!







De autor desconhecido, texto adaptado por mim.

6 comentários:

  1. Vc criou uma personagem interessante na sua narração sobre a ansiedade,está inspirada como autora.Parabens, Jack.

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    1. Muito obrigada Vagner, muito delfe por te ver aqui!

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