Uma não despedida que não permite fechar a porta

4/05/2019

Uma não despedida que não permite fechar a porta

Certa vez, uma amiga da faculdade estava a ponto de largar os treinos que vinha fazendo há anos com um time de vôlei da sua vizinhança. Era um time especial e ela jogou com as meninas por anos a fio e não era fácil largar tudo assim sem cerimônia alguma.

Então, essa amiga minha, procurou-me e pediu-me um favor, segundo ela, gostaria de sair do time sem fechar a porta de maneira que algum dia diante de uma oportunidade pudesse retornar. Ela não queria brigas, ao contrário disso, queria deixar claro às meninas que tudo foi muito bom enquanto durou, mas não duraria mais daquele momento em diante. 

Nada acontece sem nenhuma razão específica, é claro que há um motivo para tudo o que decidimos fazer. Mas, o motivo ao certo da partida dessa minha amiga do seu time de vôlei, ela não me detalhou, poupou-me disso, talvez por não ser relevante ao meu conhecimento. Eu seguirei seu exemplo quanto a isso.

O fato é que ela pediu minha ajuda para bolar um texto ou pensar em alguma coisa que fizesse com que a sua despedida fosse vista de um jeito bem-humorado, assim trazendo as pessoas ao riso seria mais fácil passar a verdadeira mensagem que ela queria, uma não despedida que não permite fechar a porta.

Em primeiro lugar, pensei, eu não sou do tipo palhacinha que sai causando risos a toa nas pessoas, como ela pôde pensar em mim para tal façanha? Hahaha a verdade é que somos amigas há anos e ela me conhece muito bem, eu já lhe arranquei muitas gargalhadas e ela já me causou dores na barriga de tanto rir. Então, eu não seria tão convincente se recusasse o tal "serviço".

Em segundo, ela me disse que não era tão criativa ao ponto de fazer isso sozinha, por isso estava me pedindo ajuda. Nesse momento eu me interessei totalmente pelo caso e naturalmente quando me vem o interesse vem junto a tal criatividade. Eu sabia que a inspiração estava ali aguçando sair de algum lugar e disse a Mi, minha amiga, que pensaria em algo e mais tarde nos falaríamos.

Fui em busca de como desenvolveria algo do tipo e foi aí que eu "dei um google". (Desculpe Mi, se você pensou que eu não fizesse isso...) Mas, não encontrei nada que satisfizesse minha inspiração, todo lugar só me apontava para despedidas de solteiros com histórias bizarras, do tipo que o noivo engravidou a streeper e o casamento teve um fim nove meses depois. Gente, como assim? Isso é engraçado? Senhor!

Acabei não desenvolvendo algo voltado exatamente para um lado humorístico, mas trouxe uma reflexão através de um texto que atendeu ao que minha amiga pediu-me. E decidi colocar o texto aqui no blog porque gostei da história da Mi, seu time e sua não despedida que não permite fechar a porta.

Querem ver? Vou compartilhar com vocês!

História de alguém que precisou desperdir-se sem deixar que a porta feche ao sair.

Estávamos, a solteirisse e eu tomando uma bira no bar do Bira, como de costume sempre nos divertimos lá naquele bar. Anos juntos, anos bons, anos maus e sempre convivemos sem nos largarmos de jeito algum. Acontece que a vida acontece para todo mundo e todo mundo que vive, vive com acontecimentos para dentro da vida. Ora somam, ora multiplicam, oram dividem e ora subtraem. Foi ruim de acreditar, mas eu tive que subtrair a solterisse da minha rotina.

Ela super me entendeu, e chegado o momento de irmos embora lá daquele bar que tanto nos divertiu, eu olhei pra solteirisse, a solteirisse olhou-me firmemente, ambos nos olhamos e nos abraçamos, quase que chorosos.
  
Enquanto ela, a solteirisse, disse: foi um prazer, se cuida e nos vemos por aí. Eu não disse nada, apenas penetrei-lhe os olhos com os meus e, em silêncio, saí. 

Como uma despedida só é oficial quando verbalizada, segue-se que eu não me despedi. 
E assim ocorreu por intenção premeditada minha, já que só encontra o casamento quem perdeu o juízo e mais valem dois pássaros voando do que um na gaiola. 

Como o tópico pede despedidas, e não não-despedidas, quero que entendam que o autor desconhecido dessa história sou eu, vocês são a minha solterisse, e o bar do Bira são os nosso treinos. 

Vou precisar deixá-los mas sem me despedir, sem fechar a porta. Compreendem?? 

De autor desconhecido, 
adaptado por Jackeline Fernandes 


Fica aqui, a dica para alguém que quer sair de algum lugar ou de alguém e quer deixar migalhas no caminho caso tenha que retornar, uma não despedida que não permite fechar a porta.

Um beijo todo especial para Míriam, amiga loka da faculdade.





   

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